segunda-feira, 2 de julho de 2018

Educação de Jovens e Adultos

Na interdisciplina da EJA (Educação de Jovens e adultos) as professoras nos convidam a refletir sobre essa modalidade de ensino através do texto de Regina Hara e do vídeo do Programa de Formação de Professores Alfabetizadores do MEC, foi um momento que me aproximou um pouco mais dos assuntos que tanto me interessam que é a educação popular e ao mesmo tempo compreender um pouco mais os conhecimentos e as atitudes de minha mãe que por ter de trabalhar muito cedo e de cuidar de 10 irmãos, nunca chegou próximo a escola pois como a mulher, filha mais velha tinha que trabalhar para o sustento da casa desde pequena. E aqui divido um pouco de minhas reflexões sobre uma aproximação a estes alunos tão desvalorizados em suas riquezas de saberes. 

É a partir da conscientização de que a educação é um direito de todos que devemos desenvolver ações em prol de uma prática mais inclusiva principalmente das camadas mais populares da sociedade. Para isso precisamos ver que principalmente para o segmento que se relacionam ao EJA, onde temos que ter a visão de que este sujeito está inserido nos mais diversos espaços educativo como na família, no trabalho e na escola, devemos ter um olhar diferenciado pois este aluno faz parte de uma parcela da sociedade em que não teve a possibilidade de concluir sua escolaridade e muitos destes sujeitos se integram a um universo constituído de indivíduos já adultos, alguns jovens, mulheres, idosos, portadores de necessidades especiais, donas de casa, trabalhadores informais e das mais diversas etnias. São indivíduos que já apresentam uma trajetória de vida, com experiências das mais diversas, muitas expectativas e vários saberes, na sua maioria apresentam uma insegurança que muitas vezes os desmotiva e os leva a não concluir seus estudos. 
A capacidade de o indivíduo ler e escrever, tem hoje em dia, como uma das necessidades primordial justamente para se inserir no mundo moderno, pois é a partir da utilização destes códigos que a pessoa tem a possibilidade de desenvolver sua autonomia de ir ou vir nos mais variados recantos dos espaços de sua vivência na cidade e no mundo. Não podemos esquecer que estes alunos mesmo não conhecendo estes signos e seus significados trazem consigo uma gama de experiências pessoais e profissionais que foram construídas ao longo de sua trajetória mesmo sem o conhecimento da escrita. 
Sendo assim este aluno se configura como diferente do ensino normal já que ele apresenta uma bagagem cultural muito vasta, por ele ser adulto ou adolescente e na sua maioria se encontra dentro do mercado de trabalho, entretanto suas experiências culturais se dão principalmente pelo sistema oral sendo assim é por esta linguagem que devemos começar nossas explorações, como podemos identificar no vídeo “como os adultos não-alfabetizados pensam a língua escrita Ler para aprender - EJA”, do PROFA/MEC, quando as professoras procuram incentivar os conhecimentos dos alunos através das perguntas iniciais de uma forma dialogada com o grande grupo. Em ambos os exemplos tanto da professora Rosilene como da professora Sonia foram colocadas algumas frases como referencial para que a partir das discussões com os alunos fossem mostradas suas visões de mundo e quais seriam seus maiores problemas. 
A partir das discussões em grupo foram trabalhadas diferentes formas de linguagens como o teatro, a música, trabalho com argila, enfim de uma forma lúdica, pois foi a partir deste trabalho simbólico que permitiu a esse educando trazer para a sala de aula a sua visão de mundo em que ele vivência. Podemos identificar nos vídeos que é a partir das trocas entre o educador e o educando que os saberes vão sendo construídos numa relação em que ambos vão aprendendo e construindo. 
Identifiquei ao longo dos vídeos que a construção das palavras escritas a partir do nome dos objetos que se faziam com mais significados para eles. Procurando estabelecer uma correspondência entre as letras e as sílabas orais a fim de construírem sua escrita, em uma fase inicial. Não podemos esquecer e isso é demonstrado ao longo de todos os vídeos apresentados que por mais que os alunos sejam analfabetos não significa que sejam pessoas não instruídas, todos tem saberes ligados a suas vivências e que são primordiais para transformarem em Marco Referencial nas aprendizagens. O tema gerador é o que motiva e desencadeia o processo educativo pois perpassa entre a sua dimensão política relacionando com a sua identificação semântica. 
Foi identificado conflitos em associar a letra correta ao som que estava sendo pedido na palavra e ao mesmo tempo a professora questiona ao aluno o que ele havia escrito, este não percebia que o som não correspondia a palavra. Com o andamento das aulas foram sendo construído momentos de observação a fim de o aluno avaliar toda a sua construção até aquele momento e assim perceber o seu erro de uma forma construtiva, lhe provocando situações de desafio para lhe desabilitar e gerar um conflito para que surgisse momentos de reflexão a com isso construir novas estruturas de conhecimento e dando-o autonomia para procurar suas respostas. 

Fonte: 
HARA, Regina. Alfabetização de adultos: ainda um desafio. 3. ed. São Paulo: CEDI, 1992. Disponível em: <https://moodle.ufrgs.br/pluginfile.php/2431996/mod_resource/content/0/Alfabetizacao_de_adultos__Regina_Hara.pdf>. Acesso em 09 jun. 2018.

Vídeo
A construção da leitura e da escrita. Disponível em:
 Parte 1: <https://www.youtube.com/watch?v=FFNxaPxsV0U&t=8s> Acesso em 09 jun. 2018
Parte 2: <https://www.youtube.com/watch?v=TJj-53u3Wdk> Acesso em 09 jun. 2018
Parte 3: <https://www.youtube.com/watch?v=UBGtdfYz7ks> Acesso em 09 jun. 2018
Parte 4: <https://www.youtube.com/watch?v=6jwXf7udfKg> Acesso em 09 jun. 2018
Parte 5: <https://www.youtube.com/watch?v=Pq9eL739mVg> Acesso em 09 jun. 2018    

domingo, 24 de junho de 2018

PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA APRENDIZAGEM - IV parte

    Como complementação dos estudos, neste post procuro identificar alguns dos conceitos ligadas às ideias do educador Paulo Freire:

     Como se explica o desenvolvimento:
     - O querer deve estar presente em todo o processo educativo.
    - Conscientização do passado para se criar a gênese de um futuro diferente.

     Como se explica a aprendizagem:
    - Para se ter a aprendizagem deve-se ter um relacionamento entre o professor e o aluno centrado na horizontalidade e na criatividade.
    - Compreender o seu humano como um ser histórico, social, inconcluso, capaz de ter não apenas sua atividade, mas a si mesmo como objeto de consciência.
      - Prática de liberdade.

     Como pode-se explicar a não aprendizagem:
     - O professor decide o que fazer e o aluno executa.
     - O professor dita e o aluno copia.
     - O professor apenas ensina e o aluno somente aprende.
    - O professor acha que o conhecimento pode ser transmitido para o aluno.

     Como se propõem que seja o ensino:
    - O professor ensina e ao mesmo tempo passa a aprender, quando o docente conhece seu aluno e o incentiva a superar seus desafios.
   - Quando o aluno aprende e passa a ensinar, demonstra ao professor seus ensinamentos e aceita em uma relação novas ações, ambos avançam em seu desenvolvimento.
     - Proposta construtivista.


Fonte:
BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. In: Fernando Becker Educação e Construção do Conhecimento. 2.ed. Porto Alegre: Penso, 2012. Disponível em https://www.larpsi.com.br/media/mconnect_uploadfiles/c/a/cap_01_95_.pdf Acesso em 21 abr. 2018
LIRA, Jessica; ROCHA, Julliana. Freud: contribuições acerca da aprendizagem e suas implicações educacionais. Vínculo, São Paulo,  v. 9, n. 2, p. 39-43, jul.  2012.   Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-24902012000200007&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 17 maio 2018.
MARQUES, Tania Beatriz Iwaszko. Epistemologia Genética. In: SARMENTO, Dirléia Fanfa; RAPOPORT, Andrea e FOSSATTI, Paulo (orgs). Psicologia e educação: perspectivas teóricas e implicações educacionais. Canoas: Salles, 2008. p.17-26
MONTOYA, Adrián Oscar Dongo. Pensamento e linguagem: percurso piagetiano de investigação. Psicol. estud., Maringá, vol.11, no.1, p.119-127, abr. 2006. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722006000100014&lng=pt&nrm=iso>. Acessos em 21 abr. 2018.  http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722006000100014.
BARRETO, V. H. L. Freud e Freire: uma interlocução possível. Estudos de Psicanálise. Belo Horizonte, n. 43.p. 161–168.julho/2015. Disponível em: <http://www.cbp.org.br/n43a17.pdf>. Acessado em 17 maio 2018.

sábado, 23 de junho de 2018

A procura de uma ressignificação


1. Que conceitos consideras relevantes para a prática pedagógica em EJA?
Ter em conta que normalmente os alunos que ingressam no EJA, se encontram em três condições: De que são “não-crianças”; De que são excluídos da escola; De serem membros de determinados grupos culturais.
Sendo assim os fatores que mais se destacam para que estes alunos consigam desenvolver suas potencialidades quando retornam a um sistema de ensino seria o de estar gozando de uma boa saúde, apresentar um nível educativo e cultural, ou seja, ter acesso as diferentes formas de cultura. Já ter realizado alguma experiência profissional (tanto formal como informal) e por fim ter uma motivação pessoal neste caso podendo ser tanto pessoal como profissional. 
Os seus conhecimentos passam um processo de transformação e ressignificação constante onde ao fazer a relação como conhecimento já existente faz com que se ressignifique o conhecimento novo.
Quem é e como é o aluno jovem e adulto?
Como característica principal, o aluno de EJA geralmente são sujeitos compreendidos dentro de uma parcela da sociedade, em que apresenta dificuldades de acesso à educação desde o inicio de sua escolarização. Em algumas situações podemos enumerar pessoas que veem de áreas empobrecidas como o caso dos trabalhadores das áreas rurais, que pelas dificuldades encontradas em seus locais de origem acabam por migrarem para áreas urbanas em busca de uma maior qualidade de vida. Outra parcela dos indivíduos que procuram esse sistema de ensino é o aluno que não acompanha a sistemática do ensino normal, pelas dificuldades encontrados dentro do tempo hábil que o sistema propõe e até mesmo pela a idade mais avançada, casos em que o aluno se sente pouco à vontade com seus colegas de aula mais jovens.

Como você descreveria as características desse aluno? Quais são as características da linguagem e do pensamento do aluno jovem e adulto? Dê exemplos.
Normalmente este aluno é adulto ou jovem já inserido no mercado de trabalho, trazendo assim para sua vida e suas relações interpessoais outro sentido bem diferenciado das experiências com que as crianças apresentam. Nesta fase se desenvolve uma maior capacidade de reflexão, sendo assim se faz necessário quando da alfabetização a construção da linguagem escrita a partir da linguagem oral e da forma em que os sujeitos fazem uso desta, a partir de situações do cotidiano se constroem informações, se diversifica o vocabulário e o seu estilo de narrativa.
Dependendo do conteúdo a ser trabalhado devemos tratar de situações que se integrem ao cotidiano deste aluno da EJA como a trajetória de sua casa ao trabalho ou da casa à escola, da forma como se faz algum alimento/receita, como trabalhar com o dinheiro e do valor dos objetos, como trabalhar com a reciclagem no bairro, os direitos e deveres de cada cidadão na comunidade, organização do sistema público no bairro e o seu acesso, o uso dos centros comunitários e os vários projetos ligados a eles, como a formação de uma biblioteca comunitária, a partir de palestras sobre doenças sexualmente transmissíveis, orientação sobre planejamento família, os projetos ligados as unidades básicas de saúde que podem propor ótimos subsídios para temas diversificados que estão bem aproximos dos problemas da vivência destes alunos e ao mesmo tempo fazendo um aporte com  o conhecimento científico.
 
2. Quais são as maiores dificuldades dos alunos jovens e adultos em sala de aula e no cotidiano suas vidas?
A influência de seu cotidiano normalmente traz refletido em sua vida escolar e nas suas relações sociais que são muito intensas e normalmente são comunicadas a comunidade, na maioria das vezes são primordiais até mesmo para sua sobrevivência, sendo assim indivíduos dependentes emotivamente de algum familiar ou de alguém dentro da comunidade apresentam um padrão de conduta moral relacionado ao seu grupo social, outro fator que se acentuam é que quanto mais jovens são inclinados a delinquência, onde não apresentam o hábito de planejar suas ações antecipadamente (vivem momento) e ainda tendem a ser fatalista e inseguros.

3. O fato de os alunos pertencerem a diferentes grupos culturais (relações de classe, econômicas, etárias, étnicas, religiosas etc.) pode provocar diferenças no funcionamento cognitivo? Por quê?
No momento que este aluno interagem com o(s) grupo(s) cultural(is) a qual pertence induz a uma interrelação de conhecimentos a fim de se integrar de uma forma harmônica a este grupo e assim propõem com que o sujeito elabore a sua própria identidade.

4. Que elementos são fundamentais para que o trabalho na EJA seja bem-sucedido?
Com os alunos da EJA devemos ter que a aprendizagem se dá, na forma como se relacionam com os outros, através de um diálogo constante. O aluno da EJA deve ser constantemente incentivado a participar de forma interativa com o seu processo de conhecer o mundo e assim ressignifica-lo.

Fonte:
     VARGAS, Patrícia Guimarães; GOMES, Maria de Fátima Cardoso. Aprendizagem e desenvolvimento de jovens e adultos: novas práticas sociais, novos sentidos. Educ. Pesqui., São Paulo , v. 39, n. 2, p. 449-463, June 2013 . Disponivel em: <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1517-97022013000200011&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 20 Jun 2018.

            OLIVEIRA, Marta Kohl de. Jovens e adultos como sujeitos de conhecimento e aprendizagem. Revista Brasileira de Educação. n. 12. São Paulo: Anped - Associação Nacional de Pesquisa e Pós-graduação em Educação. p. 59-73, 1999. Disponível em: http://anped.tempsite.ws/novo_portal/rbe/rbedigital/RBDE12/RBDE12_06_MARTA_KOHL_DE_OLIVEIRA.pdf. Acesso em 20 jun 2018.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

Cidadania e Direitos Humanos

Os Direitos Humanos se relacionam aos direitos fundamentais que um ser humano tem à uma vida digna, sendo assim neste sentido sempre existiram, só que precisamos estar convictos de que devemos estar reforçando as suas diretrizes constantemente, para que a sociedade não se esqueça de suas atribuições e obrigações para com os indivíduos.
A Declaração dos Direitos do homem e do Cidadão foram expressados a partir de 1789, inspirados nas ideias da Revolução Francesa que são os de liberdade, igualdade e de fraternidade ou de solidariedade para todas as sociedades que visavam os mesmos ideais que surgiam na França naquela época. Uma das diferenças em que encontramos na Declaração de 1789 e de qualquer outra que tenha se proposto era de que as ideias sobre cidadania se reportavam a uma ordem jurídico-político de um determinado Estado Nacional e não como valor universal, para isso como direitos e deveres estabelecidos de um cidadão podemos acrescentar ou retirar algum artigo. Neste caso quando promulgamos o significado da palavra Cidadania se está subtendido ao povo de uma Nação.
Entretanto quando nos declaramos sobre os Direitos Humanos temos todo um contexto em que se foi construído, principalmente durante a Ditadura Militar, de que os Direitos Humanos estariam relacionados a defesa dos direitos dos criminosos, sendo que sua proposta se designa a agir em prol de defesa de todo e qualquer indivíduo tanto pobre como rico, pela sua integridade sem exceção de classe, etnia ou gênero.
Até hoje os conceitos sobre Direitos Humanos por causa de uma manipulação deturpadora associa que a classe popular se encontra entre as “classes perigosas”, visto que somos uma sociedade com muitas desigualdades sociais e com uma pirâmide socioeconômica tão extremada na distribuição de renda fazendo com que a classe dominadora se receie e continue a usar a mídia em prol de uma mistificação deturpadora.
Os direitos dos cidadãos são direitos especificados em um determinado território com seu ordenamento jurídico, entretanto no que se relaciona aos direitos humanos este é universal valendo em qualquer espaço geográfico do mundo não se valendo a uma nação, mas sim a todos os cidadãos como indivíduos sendo denominados como direitos naturais e sendo presididos antes de qualquer lei.
Dentre estes direitos naturais temos um conjunto de conquistas tais como a não aceitação a prática da escravidão, a proibição do trabalho infantil, ser contra a castigos cruéis, degradantes e tortura, ou seja, em prol do reconhecimento da sua dignidade humana indiferente de sua cor, credo ou gênero e assim sendo portador de direitos fundamentais como o de não ser torturado, o de ter um julgamento imparcial, o de ter um advogado, o de ter sua integridade física respeitada.
É a partir de reflexões destas envergaduras que desenvolvemos uma identidade, onde o nosso sentimento de pertencimento a um coletivo nos aproxima mais a uma convivência democrática e crítica, respeitando a todos e desenvolvendo uma responsabilidade sobre nossas tomadas de decisões e fazendo com que nossas ações influenciem para uma sociedade mais justa e democrática.  

Fonte:
ARRAYO, Miguel G. Curso de Especialização Educação, Pobreza e Desigualdade Social. Ministério da Educação (MEC). Brasília, 2014. Disponível em: <http://catalogo.egpbf.mec.gov.br/>. Acesso em: 22 nov. 2017

PROCESSO DE CONSTRUÇÃO DA APRENDIZAGEM - III parte

     Como complementação dos estudos, vamos aos processos de construção das aprendizagens conforme a Teoria de Sigmund Freud:

     Como se explica o desenvolvimento:
   - Transferência -> professor tornar-se a figura a quem serão focados os interesses do seu aluno, porque é objeto de uma transferência das experiências de vivências.
      - A mola propulsora do desenvolvimento intelectual é sexual.

   - “A cada aluno cabe desarticular, retalhar, ingerir e digerir aqueles elementos transmitidos pelo professor, que se engancham em seu desejo, que fazem sentido para ele, que, pela via de transmissão única aberta entre ele e o professor – a via da transferência – encontram eco nas profundezas de sua existência de sujeito do inconsciente.”(Lira, 2012)


     Como se explica a aprendizagem:
     - As bases da sublimação se dão através das pulsões sexuais, ou seja, todos temos uma pulsão, mas é através da educação que esse “mal” passaria para valores superiores como ações culturais uteis a sociedade. 

   - Não há aprendizagem sem relação, em que o ato de aprender está com o se inteirar com o Outro.
     - A aprendizagem se faz por amor a alguém, sendo necessário um vínculo. 
      - Coordenação de ações que levam a um "esquema". Ações de primeiro grau -> são as que levam ao êxito e que são necessárias a nossa sobrevivência – ação do bebê mamar, objetivo alimentar-se. Ações de segundo grau -> são ações praticadas sobre as ações anteriores ou sobre suas coordenações – brincar de mamar, apropriação do ato/brincar, compreensão.

     Como pode-se explicar a não aprendizagem:
      - O professor se comportar como se fosse a autoridade suprema.
      - O professor pensa que seu saber é incontestável.

      - O professor ser o detentor de uma disciplina rigorosa.

     - A ausência de normas poderia representar a volta de relações humanas agressivas e destrutivas.

     Como se propõem que seja o ensino:
     - Entende o rigor como algo necessário ao bom funcionamento psíquico.
      - Observar as atitudes conscientes de seus alunos. 
   - O professor deve valorizar menos a manutenção do bom comportamento de seus educandos e mais a livre expressão deles.
    - O conhecimento está sempre permeado pelo desejo de querer aprender, como carga emocional que vem do inconsciente.
     - Uma vivência mais humanizada.

     






     Referência:
     BECKER, Fernando. Modelos pedagógicos e modelos epistemológicos. In: Fernando Becker Educação e Construção do Conhecimento. 2.ed. Porto Alegre: Penso, 2012. Disponível em https://www.larpsi.com.br/media/mconnect_uploadfiles/c/a/cap_01_95_.pdf Acesso em 21 abr. 2018
     LIRA, Jessica; ROCHA, Julliana. Freud: contribuições acerca da aprendizagem e suas implicações educacionais. Vínculo, São Paulo, v. 9, n. 2, p. 39-43, jul. 2012. Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1806-24902012000200007&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 17 maio 2018.
     MARQUES, Tania Beatriz Iwaszko. Epistemologia Genética. In: SARMENTO, Dirléia Fanfa; RAPOPORT, Andrea e FOSSATTI, Paulo (orgs). Psicologia e educação: perspectivas teóricas e implicações educacionais. Canoas: Salles, 2008. p.17-26
     MONTOYA, Adrián Oscar Dongo. Pensamento e linguagem: percurso piagetiano de investigação. Psicol. estud., Maringá, vol.11, no.1, p.119-127, abr. 2006. Disponível em <http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-73722006000100014&lng=pt&nrm=iso>. Acessos em 21 abr. 2018. http://dx.doi.org/10.1590/S1413-73722006000100014.
     BARRETO, V. H. L. Freud e Freire: uma interlocução possível. Estudos de Psicanálise. Belo Horizonte, n. 43.p. 161–168.julho/2015. Disponível em: <http://www.cbp.org.br/n43a17.pdf>. Acessado em 17 maio 2018.

sábado, 2 de junho de 2018

Memórias

Este texto foi desenvolvido a partir do debate e pesquisas realizada em grupo (Jaqueline Rosa, Luciane Arcos e Carine Soares) sobre as memórias das tecnologias usadas na escola desde 1974 até os dias de hoje.



     Desde o nascimento convivemos com a técnica, porém a partir do século XX vem se intensificando o uso das tecnologias na sala de aula para atender as necessidade de diversificar as estratégias desenvolvidas para as aprendizagens dos alunos. Antes disso, por volta de mil novecentos e sessenta houve uma inserção tecnológica nas escolas que nesse período seguiam o Modelo Tecnicista onde o objetivo era ter uma mão de obra qualificada para o mercado de trabalho que nesse período precisava de pessoas com conhecimentos específicos de acordo com as tecnologias da época, de modo que cabia ao professor apenas aplicar os manuais e ao aluno o papel de receptor de todas as instruções.
     Com muitos dos recursos tecnológicos criados, principalmente a partir da segunda guerra mundial, a população passou a ter mais acesso as tecnologias, o que acabou acarretando a transformação das relações socioeconômicas da sociedade. Se analisarmos a trajetória histórica de formação de nosso território brasileiro, temos na década de 40 e 50 uma economia predominantemente rural e a população na sua maioria analfabeta, então um dos recursos utilizados para se erradicar o analfabetismo foi o rádio, necessitando apenas de um monitor e um espaço para conduzir as atividades propostas. Com o Movimento de Educação de Base, na década de 60, temos ações do Governo Federal em conjunto com a Igreja Católica, onde quem atuavam eram alguns alunos secundaristas e pessoas das próprias comunidades para a difusão destas ações.
     Na sequência temos a utilização da televisão como meio de difundir o acesso ao conhecimento, com o objetivo de suprir a lacuna deixada pelo ensino básico por grande parte da população, bem como um instrumento de fortalecimento dos valores e costumes ditando normas e regras sociais.
     Já os computadores, chegaram na década de 70, vieram primeiramente com o incentivo das universidades e atualmente já se tornaram instrumentos indispensáveis à população e a todos os setores, pois propiciam um ambiente de dimensão virtual com todas as potencialidades necessárias tanto na linguagem oral como na escrita. 
      Com o desenvolvimento das tecnologias de informação o sujeito está mais próximo das informações desejadas, em um ambiente mais dinâmico e interativo, podendo ter acesso à chats, fóruns, livros, ou seja, uma gama infinita de informações ao alcance de um clic.
      Ao confrontar nossa linha de tempo, ficou evidente a influência de um período histórico no qual cada uma de nós iniciou sua vida escolar, ainda assim foi possível encontrar elementos que persistiram no tempo e continuam sendo importantes para o nosso processo de aprendizagem enquanto instrumento funcional ou recurso pedagógico.
    Nossas lembranças escolares da infância nos remeteram a tecnologias que otimizavam o processo de aprendizagem, mas não havia por parte do professor a intencionalidade pedagógica por parte do professor.
    Hoje acreditamos que o nosso papel enquanto educadores é oportunizar aos nossos alunos o uso de novas tecnologias na busca de informações e na construção do conhecimento, trazendo para a sala de aula recursos que já são utilizados no cotidiano, estimulando-os a pensar, estruturar suas ideias, elaborar hipóteses, satisfazer suas curiosidades e sentir prazer na realização das atividades e na obtenção dos objetivos pretendidos, ou seja, há uma intencionalidade pedagógica na utilização de cada recurso tecnológico.
     Frente a esse avanço tecnológico que transforma tanto o nosso cotidiano como a nossa sala de aula, nosso maior desafio é acompanhar o tempo dos nossos alunos que estão anos luz a nossa frente nesse universo tecnológico, bem como ensiná-los a fazer uso de todas essas ferramentas para fins da aprendizagem, pois independente da época em estejamos o mediador sempre é o educador e a ele cabe a tarefa de apropriar-se das inovações a fim de utilizá-las na promoção e qualificação das situações de aprendizagem.

Referências Bibliográficas
BARRETO, R. G. Tecnologia e Educação: trabalho e formação docente. Revista Educação & Sociedade, Campinas, Vol. 25 nº 89, Set/Dez 2004. Disponível em: <http://www.scielo.br/pdf/es/v25n89/22617.pdf> Acesso em 16 abr 2018.
BORGES, Débora R. A Utilização do Rádio no Movimento de Educação de Base em Mato Grosso. 36ª Reunião Nacional da ANPEd, Goiânia, Set/out 2013. Disponível em: <http://www.anped.org.br/sites/default/files/gt02_3222_texto.pdf> Acesso em 16 abr 2018.
NASCIMENTO, AD., and HETKOWSKI, TM., orgs. Educação e contemporaneidade: pesquisas científicas e tecnológicas [online]. Salvador: EDUFBA, 2009, 400 p. ISBN 978-85-232-0565-2. Available from SciELO Books <http://books.scielo.org>. Disponível em: <http://books.scielo.org/id/jc8w4/pdf/nascimento-9788523208721-07.pdf> Acesso em 16 abr 2018. 


Inovação


Quando se fala de inovação pedagógica se fala de atitudes, a forma como esse professor que é produtor de saber se comporta perante o seu fazer pedagógico, onde este profissional se coloca como um mediador e incentivador entre o aprendiz e aprendizagem. Com isso a forma como o professor apresenta e trata seu conteúdo que ajuda o aluno a coletar as informações, relaciona-las, organiza-las, manipula-las e debate-las com os outros até chegar a um conhecimento significativo para ele e assim possa incorporar ao seu mundo vivencial e o ajude a compreender a sua realidade na sociedade e possa com isso tenha condições de a modificar. E a inovação está principalmente nessas ações de interferência, quando vemos o real (cultura) e o transcrevemos para o que pode existir, ou seja, “olhar o antigo com novos olhos”(Cunha, p. 12), em que muitas vezes pode estar aliado a estratégias que sejam ariscadas e até mesmo audaciosas de tentar inovações, para fazer o diferente frente ao nosso aluno.



Fonte:
CUNHA, Maria   Isabel   da. Inovações pedagógicas e a reconfiguração de saberes no ensinar e no aprender na universidade. VIII Congresso Luso-Afro-Brasileiro de Ciências Sociais. Centro de Estudos Sociais, Faculdade de Economia, Universidade de Coimbra, Portugal, 16 a 18 de setembro de 2004. Disponível em: <https://www.ces.uc.pt/lab2004/pdfs/MAriaIsabelCunha.pdf>. Acesso 16 maio 2018.