sábado, 26 de dezembro de 2015

A definição de um estatuto de infância.

A definição de um estatuto de infância. Segundo as ideias do historiador Philippe Ariès, de que forma foram aparecendo historicamente a figura do bebê, e a infância?
Carine Dias Soares
Jaqueline Correa Lemos
Jaqueline Rosa
Luciana Menezes Arco

O historiador Philippe Ariès, dentro de sua pesquisa identificou que as crianças eram vistas na era medieval como “Um adulto em miniatura” apenas o que os distinguia dos adultos era sua estatura, e os materiais utilizados para a análise foram: retratos, quadros, vestígios de objetos como brinquedos e roupas, esculturas e monumentos funerários. Por um grande período a infância não apresentava uma importância significativa para a sociedade já que era transitória e suas lembranças logo seriam perdidas sua posição era tão insignificante que quando morria era considerada uma perda eventual ou algo inevitável projetando um sentimento de indiferença.
Ariès afirma em seus estudos que na Idade Média não havia sentimento de infância e somente a partir do século XVII é que começa a ter um primeiro sentimento pela infância onde a família olha para a criança acalentando um sentimento de “engraçadinha” e assim sendo, considerada como um indivíduo que servia para o encanto dos adultos.
No século XII a criança não apresentava nenhuma característica que a diferenciasse do adulto, apenas eram figuras de homenzinhos menores com a mesma musculatura de um adulto. Já século XIII começa a aparecer muito vagamente a ideia de infância, as crianças eram representadas como anjos com a aparência de um rapaz jovem com traços arredondados e graciosos mais próximas ao sentimento contemporâneo. Esse tipo de anjo foi muito comum durante o século XIV. Um segundo tipo de criança seria o modelo de todas as crianças pequenas da história da arte: o Menino Jesus. No início era retratado como uma redução do adulto e depois foi ficando mais arredondado e com traços mais delicados e um terceiro tipo aparece na fase gótica que foi a criança nua.
No século XV surgem dois tipos de representação da infância o retrato e o Putti. Putti é o termo usado na arte que se refere a figura de um menino nu, quase sempre do sexo masculino e representado frequentemente com asas se assemelhando muito aos bebês. Nesta mesma época houve o aparecimento do retrato da criança morta que foi um momento muito importante na história do sentimento pois mostrava que a criança não era mais considerada facilmente como uma perda inevitável.
E finalmente, no século XVII, tornaram-se numerosos os retratos de crianças isoladas e passou a ser um dos modelos favoritos, pois cada família, agora, queria possuir retratos de seus filhos quando crianças, o que é, até hoje, costume que nunca desapareceu. A fotografia substituiu a pintura, mas o sentimento de guardar a fase infantil dos filhos não mudou.
Já a aprendizagem das crianças e adolescentes encontrava-se ligada às práticas familiares e à classe social a qual pertencia; a partir do século XVI que começam a surgir vários dispositivos que promovem o surgimento de outros segmentos como escolas, tutores, internatos para a difusão da educação e o enclausuramento destes. Inicialmente tínhamos o setor religioso que durante uma longa data veio a se preocupar com a criança e seu futuro, esses jovens eram valorizados e se tornavam alvo de disputa, sendo visados como futuros católicos ou protestantes. Nesse período a juventude era vista sem uma definição etária, mas cuja particularidade era a de estar em desenvolvimento.
No decorrer de seu desenvolvimento, a definição de um estatuto da infância que veio garantir aos jovens que fossem doutrinados, a fim de manter a ordem e os bons costumes, preservando intacta e imaculada a instituição católica. A escolarização, que também era obrigatória e preparatória para a vida religiosa ou para a nobreza, era apenas para os filhos dos ricos e dos nobres, sendo ministradas as aulas de latim e demais conteúdos em casa com o preceptor ou nos colégios jesuítas; a família pouco se envolvia e quando muito dividia as responsabilidades. Em função disso havia pouco afeto entre pais, filhos e entre irmãos, sendo comum ocorrerem crimes que eram compreendidos com naturalidade. Os filhos dos artesãos e dos camponeses não frequentavam a escola e desde muito pequenos já aprendiam o ofício dos pais para ajudar a família.
Claro que a evolução histórica brasileira não coincidiu com a do continente europeu, que até aproximadamente do século XIX tinha-se uma concentração da população na área rural, onde o trabalho das crianças e adolescentes mantinha-se como mão de obra familiar.
Por isso temos que dizer que a compreensão histórica do estatuto da criança, baseado na análise de Ariès, se dá a partir da ligação desta com as classes sociais dominantes. Acreditamos que hoje o jovem continua sendo um alvo, não apenas religioso, mas político; onde lideranças políticas e religiosas disputam entre si a atenção e a capacidade do jovem para socializar, difundir e defender seus ideais.

Referência bibliográfica
Julia Alvarenga e Fernandes Alvarez-Uria, Maquinaria Escolar.
Aries, Philippe, História Social da Criança e da Família.

Um comentário:

  1. Bem interessante. Embora ainda com muita limitação, o ECA é um passo importante nos direitos das crianças e adolescentes e o próprio reconhecimento enquanto sujeito que necessita de um amparo legal e com condições diferenciadas, levando em conta suas condições de desenvolvimento e suas necessidades. Ainda há pouco conhecimento do ECA pelas famílias e até pelas crianças. É importante apresentar a elas seus direitos.

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