domingo, 6 de dezembro de 2015

Alfabetizar, Alfabetização

No Texto Ver, criar e compreender, a autora Analice Dutra Pillar identificou através das observações em sua sala de aula que a criança procura reconstruir o seu meio a partir dos desenhos, identificando assim que a criança no início do desenvolvimento procura fazer com que “o desenho começa como uma escrita e a escrita como um desenho”. E também identificou como Luquet descreveu as fases: a criança em um primeiro instante tem o Desenho Involuntário (Realismo Fortuito) onde desenha pelo prazer visual, gestual, de traçar linhas sem a intensão de representar, já em uma segunda fase ocorre o Desenho Voluntário quando a criança representa seu meio a partir do desenho, apresentando alguma semelhança e a terceira que é Incapacidade Sintética quando são construídas as formas diferenciadas para cada objeto.
No Realismo Intelectual a criança já identifica o objeto em sua forma e cor. É nesta fase que a criança inicia a identificação de espaço, forma e cor dentro de uma cena, linha de chão. Para Piaget, nesta fase se inicia a identificação das relações de projeções e secções e de proporções e distâncias. E por último Realismo Visual nesta fase a criança procura desenhar a sobreposição, a opacidade, as distâncias e as proporções dos objetos e sua perspectiva.
No texto de Sônia Borges, é tratado a construção da alfabetização, como surge a escrita no imaginário da criança e como são associados os ideogramas da escrita com o sentido que é atribuído pelo sujeito. Para Emília Ferreiro, que em seus estudos era preocupação de que forma a criança aprende, identificou na leitura e na escrita, que o sujeito cria sistemas de representação em processo contínuo para representar as imagens e os sons em escrita. Sendo que cada indivíduo constrói sua própria aprendizagem, e esta é gradual, onde cada salto cognitivo depende da assimilação e de uma reacomodação dos esquemas internos onde interpretamos o conhecimento que recebemos.
Já nos estudos de Piaget (1896-1980), a assimilação do conhecimento só será feita a partir das descobertas que a própria criança realiza, e assim para educar tem que “provocar a atividade”, ou seja, estimular a procura do conhecimento. O ser humano apresenta estágios de desenvolvimento, onde para se reconstruir a escrita deve antes apropriar-se dela, e em cada estágio de desenvolvimento intelectual ganha-se em complexidade e abstração. Para os alunos se apropriar do conhecimento deve-se ter o contato com o objeto. E para Vygotsky, a aprendizagem também tem influência do meio social em que vive, já que a escrita representa o mundo.
O sujeito epistêmico está na origem de suas representações sobre as coisas do mundo, ele busca satisfazer suas curiosidades sobre o meio testando, representando o que vê. A linguagem oral e escrita é objetiva e representativa. A escrita é a construção representativa do som (linguagem oral), e como prática social é sempre um meio nunca um fim se torna a resposta a um objetivo. Muitas vezes o que o professor ensina não é o mesmo que as crianças aprendem, essa aprendizagem não corresponde nem um pouco com aquilo que lhes foi ensinado, como se fosse uma distorção da realidade do professor.
A partir dessas observações me veio a lembrança as dificuldades em que meus alunos tiveram em entender o conteúdo esse ano sobre a evolução do capitalismo em suas fases, onde tinha que associar o desenvolvimento do sistema de produção na sua evolução histórica e assim podermos nos aproximar nas relações dos grandes blocos econômicos atuais. Trabalhar esse conteúdo e procurar fazer uma interligação com as outras áreas do saber foi um esforço bem cansativo pois os alunos não compreendiam como que a geografia pode dialogar com a biologia, com a história, sociologia enfim com as outras disciplinas e tenha uma interligação que as únicas diferenças são como você direciona o olhar para aquele tema.
Procurei trabalhar desde os assuntos relacionados a que os alunos tinham conhecimento e a partir destes foram realizados debates, utilização de mapas, vídeos, leitura de textos com exercícios de compreensão, quadro resumo para o trabalho dos conteúdos da grade curricular. Todas as atividades foram articuladas para que o aluno não somente fizesse as atividades para o fim de uma nota final, mas que o fizesse refletir sobre como as atividades econômicas globais podem influenciar no seu mundo local e como ele, um ser individual, pode ter ações que modifiquem de forma positiva o meio em que vive.

BIBLIOGRAFIA:

Coleção memória da Pedagogia, n.5: Emilia Ferreiro: a construção do conhecimento. Alfabetização, representação e diferença. Rio de Janeiro: Ediouro; São Paulo: Segmento-Duetto, 2005.
Coleção memória da Pedagogia, n.5: Emilia Ferreiro: a construção do conhecimento. Ver, criar e compreender. Rio de Janeiro: Ediouro; São Paulo: Segmento-Duetto, 2005.
Construção da escrita - Programa de Formação de Professores Alfabetizadores. Site Revista Nova Escola http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/alfabetizacao-inicial/alfabetizacao-video-profa-construcao-escrita-parte-3-545609.shtml acessado em 02/12/2015.
Duarte, Karina. Rossi, Karla. Rodrigues, Fabiana. O PROCESSO DE ALFABETIZAÇÃO DA CRIANÇA SEGUNDO EMILIA FERREIRO. Ano VI – Número 11 – Janeiro de 2008 – Periódicos Semestral. REVISTA CIENTÍFICA ELETÔNICA DE PEDAGOGIA – ISSN: 1678-300X. http://www.educadores.diaadia.pr.gov.br/arquivos/File/2010/artigos_teses/2010/Pedagogia/aprocesso_alfab_ferreiro.pdf acessado em 30/10/2015.
Jean Piaget: O cientista suíço revolucionou o modo de encarar a educação de crianças ao mostrar que elas não pensam como os adultos. http://educarparacrescer.abril.com.br/aprendizagem/jean-piaget-307384.shtml  acessado em 30/10/2015.



Um comentário:

  1. Jaqueline, achei interessante tua reflexão a partir do reconhecimento da necessidade de abordar temas que fazem parte da vida dos alunos e a partir de suas experiências e ideias. Os temas realmente são interligados, mas há uma dificuldade em serem vistos assim. A escola, muitas vezes, faz um grande esforço para separá-los e assim os alunos possuem dificuldade em entender a sua importância e a suas colaborações em determinados temas. E para a vida precisamos auxiliar na visão crítica dos temas, onde cada um tenha seu espaço, respeitem as individualidades e se desenvolvam juntos.

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