domingo, 16 de outubro de 2016

Geografizar é preciso

Compreender como a ciência geográfica vem sofrendo reformulações em alguns de seus conceitos ao longo da evolução da sociedade é relevante, já nos seus primórdios procurava-se identifica-la como uma ciência voltada ao descritivo de viagens realizadas, mas apenas com o intuito de tecer um relato do espaço encontrado. Já na década de 70, começa-se a se propor uma inter-relação entre Natureza/Homem/Economia até aproximadamente à década de 80 onde os problemas sociais estavam mais em evidência. Então a geografia em sua ciência tem-se preocupado com as transformações aos quais a sociedade vai estabelecendo sobre o espaço vivenciado. 
Já a cartografia tem como uma de suas utilidades a de como nos localizarmos e como estabelecemos associações espaciais com o meio a qual vivenciamos. E é na cartografia que a geografia tem um aliado para a compreensão deste espaço, sendo que o aluno familiarizado com os símbolos aos quais a ciência cartográfica traz como símbolos, legendas, projeções e escala e conjuntamente com as habilidades de espacialidade como a compreensão de direita, esquerda, acima, baixo, frente, atrás faz com que sejam percebidas as transformações que vão ocorrendo. 
Nas séries iniciais precisa-se que seja trabalhado com os alunos as relações espaciais topológica, projetiva e euclidiana. Nas relações espaciais são os elementos representados nos espaços como a localização de objetos e sua orientação como lateralidade, anterioridade e profundidade. Assim para a assimilação das relações de vizinhança, separação e na sucessão de ordenamento, ou seja, na equivalência de dois objetos temos a relação espacial topológica. Podemos trabalhar com os alunos a partir de situações que levem a relacionar o conhecimento de direita e esquerda a partir do seu corpo a localização de um outro objeto no ambiente. Nas relações projetivas temos a ordem e sucessão dos objetos nos espaços, a partir de um ponto (antes, depois, entre e a frente) trabalhando noções de perspectiva, equivalência ou de um ponto de vista. Nas relações Eucledianas corresponde a relação do espaço métrico e de profundidade como em cima, sobre, abaixo, fundo, de baixo. Tanto as relações espaciais projetivas como as eucledianas o referencial é a localização que os objetos ocupam, em relação a posição uns dos outros. 
Está é uma das formas de compreender o mundo e as suas complexidades e é na cartografia que a geografia tem como facilitador, pois é a partir da apropriação destes conhecimentos que o professor pode propor novas leituras do espaço geográfico.

Fonte Consultada:
CASTROGIOVANNI, Antonio; COSTELLA, Roselane. Geografia e a cartografia escolar no ensino básico: uma relação complexa - percursos e possibilidades. In: SEBASTIÁ, Rafael; TONDA, Emilia. La investigación e innovación en la enseñanza de la Geografía. Alicante: UNE, 2016, p.15-26. 

2 comentários:

  1. Esse verbo é fundamental na escola! Precisamos de escolas que potencializem o desenvolvimento da interpretação da paisagem; que possamos extrapolar o quadro e o giz. Alfabetizar cartograficamente; utilizando linguagens acessíveis e simbologias. Importante trabalhar as relações espaciais, dentro do contexto da paisagem e mapa. Muito bom relembrar esses conceitos básicos e fundamentais. Geografizar é preciso! Nos tempos atuais como podemos geografizar em sala de aula?? Aguardo novas publicações para poder ter pistas!

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  2. Glauber, respondi seu questionamento com a postagem no Seminário Integrador IV, indiferente da disciplina que eu esteja trabalhando nas ciências humanas, o olhar da geógrafa não se encontra distante.

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