quinta-feira, 8 de dezembro de 2016

Ver/Olhar


Este mosaico demonstra bem o quanto o ver se distância do olhar, em um primeiro momento identificamos apenas o espaço como um todo, mas quando aprofundamos nossos olhares eles se diferenciam e identificam-se particularidades as quais não eram compreendidas, para conhecermos nosso espaço de vivência e entende-lo necessitamos identificar como ele foi sendo estruturado ao longo do tempo e como a sociedade foi influenciando essas transformações.
Nos trabalhos realizados para amostra de final de ano, cada aluno demonstrou as suas visões sobre soluções de problemas encontrados dentro de seus espaços de vivência. Cada grupo procurou ver em um primeiro instante as dificuldades encontradas na comunidade e que influenciavam para a precarização dos serviços como a falta de segurança, áreas inutilizadas na escola, falta de acessibilidade na escola, a precariedade de atendimento do hospital do bairro, salas de aula precarizadas, biblioteca desatualizada, laboratório de informática desativado, bullying, oficinas de aprendizagem e outros. 
Com o transcorrer das pesquisas cada grupo foi modificando suas visões e as reflexões foram sendo aprimoradas para uma contemplação mais atento deixando de se restringir a apenas ver os problemas para um olhar em busca de soluções mais plausíveis e coerentes com nossa comunidade. 
Como por exemplo, o trabalho que se referia a construção de um ginásio na escola, em um primeiro instante tinha a ideia de se construir um prédio no espaço da quadra de futebol, mas com a pesquisa se identificou que não tínhamos espaço para a construção de um prédio com todas as normas necessárias, como paredes a prova de som, vestiário, sala para guardar os matérias das diversas modalidades esportivas. Entretanto uma área coberta, uma reforma no piso com material específico, telas de proteção e reforma na arquibancada era uma situação mais viável e econômica, pois até a própria comunidade poderia fazer um mutirão para ajudar, já que as verbas direcionadas pelo estado não consegue suprir todas as necessidades que a escola precisa para ter um bom funcionamento. 
Em um outro trabalho bem interessante pelo seu desdobramento de como foi conduzido e pelo empenho com que a aluna apresentou seu projeto, foi sobre "Como desenvolver uma horta na escola", em um primeiro instante seria a realização em uma área vazia em que está se transformando em um lixão nos fundos da escola. Ao longo das pesquisas e com ajuda da professora de química, foi se constatando que o solo não era propicio pois o arroio que passa nos fundos da escola é poluído e já influencia na contaminação do solo pela sua proximidade, sendo assim os alimento que se plantasse nessa área não seriam próprios para consumo, no entanto poderiam ser plantadas árvores não frutíferas para fazer sombra e amenizar o calor principalmente no verão para as salas de aulas que se encontram próximas a este espaço e onde principalmente a tarde são insuportáveis. E para solucionar o problema inicial que era o da horta, faze-la suspensa em caixotes, vasos ou garrafas pet sem contato direto com o solo onde poderiam ser realizados o monitoramento do Ph do solo e de pragas e ainda com os restos dos alimentos do refeitório poderia-se fazer compostagem para ser utilizada.
Durante a realização dos vários temas identifiquei, em um primeiro instante, o que era visto no espaço pelos alunos estava em uma dimensão mais extensa, até de uma forma um tanto desatenta aos detalhes, entretanto com as indagações propicias foi se construindo um olhar mais direcionada aos elementos contidos nos espaços a suas preocupações iniciais e assim foi se transformando em experiências mais reflexivas levando os alunos durante o processo a ressignificar suas aprendizagens.

Referência

CASTROGIOVANNI, Antonio; COSTELLA, Roselane. Geografia e a cartografia escolar no ensino básico: uma relação complexa - percursos e possibilidades. In: SEBASTIÁ, Rafael; TONDA, Emilia. La investigación e innovación en la enseñanza de la Geografía. Alicante: UNE, 2016, p.15-26.
NADAI, Elza. O ensino de história no Brasil: trajetória e perspectiva. Revista Brasileira de História. São Paulo, v.13, n.25/26, p.143-162, set.92/ago.93.
TIBURI, Márcia. Aprender a pensar é descobrir o olhar. Disponível em: http://www.marciatiburi.com.br/textos/aprender.htm Acessado em: 30/11/2016.