quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Como as ideias surgem?

Em algumas leituras em que estive fazendo sobre educação me deparei com uma reportagem da Revista Novaescola, na realidade é uma Série Especial na qual se discutia os vários Retratos da Exclusão (fevereiro/2014), neste texto o que mais me marcou foi que no Brasil temos 7,5% das crianças entre 4 e 17 anos que não frequentam à escola. Isso significa que no país encontramos um número aproximado de 3.366.299 de pessoas, conforme Pnad de 2012, que se encontram fora da escola. 

Mas por que essas crianças e adolescentes não tem acesso à educação em pleno século XXI?
Várias são as situações, mas com certeza os mais atingidas são as populações que se encontram em mais vulnerabilidade, como: as negras, as indígenas, quilombolas, pobres, sob risco de violência, exploradas e com deficiências de aprendizagens. No texto, se identificava várias medidas que poderiam ser realizadas para reverter esse quadro como o aumento do número de escolas, escolas com acessibilidade para alunos com deficiência, reforma das escolas já existentes, transporte escolar, profissionais especialistas, valorização de seus profissionais docentes, enfim n situações demonstrando que é complexa a questão, entretanto o que os vários setores fazem na realidade é burocratizar ainda mais o conhecimento em prol de uma eficiência produtividade para o mercado. 
Sabemos que não são questões fáceis de serem respondida e de serem solucionadas, tanto que temos em nossa sala de aula uma diversidade muito grande de realidades e nós professores necessitamos ensina-los dentro destas incertezas. 
Mas afinal devemos prepara-los para o que? 
Foi quando me lembrei de uma passagem no livro do Paulo Freire, Por uma Pedagogia da pergunta, em que Antonio Faundez descrevia uma de suas férias escolares na qual ele trabalhava junto com uma família araucana e refletiu sobre qual seria o sentido e a importância do saber ler e fazer contas para aqueles camponeses? 
Sua conclusão naquele momento foi que a importância maior era o de lutar contra a injustiça e para isso teve que respeitar o cotidiano daquela realidade e a partir do entendimento das marcas culturais daquela família poder criar caminhos de mudanças, será que ai não está uma das respostas para os problemas encontrados atualmente, acharmos os caminhos contextualizados para que nossos alunos possam fazer as mudanças e desta forma poderem reorganizar a sociedade de uma forma mais justa.
"Na medida em que as massas não detêm o saber que o intelectual possui, elas não detêm o poder. E esse desprezo pelo saber popular afasta o intelectual das massas." (Freire, 1985)

“Saímos para o exterior, não para descobrir o segredo dos outros, mas para descobrir o segredo de nós mesmos.” (Mariátegui)

Fonte:
Retratos da exclusão - Revista Novaescola
FREIRE, Paulo. Por uma pedagogia da pergunta. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1985.

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